terça-feira, 17 de maio de 2016

Baião de Três: Troféu Gonzagão aposta no banquete de ritmos do Nordeste



Em sua VIII versão, o evento homenageia Pinto do Acordeon, Zé Dantas e Carlinhos Brown.


Misturar a autenticidade da puxada da sanfona de Pinto do Acordeon com a riqueza cultural da obra de Zé Dantas, adicionar a pluralidade dos ritmos do timbal, fervidos com os atabaques de Carlinhos Brown. E servir! Está pronto o "baião de três", um prato nordestino que vai agradar aos paladares mais apurados que estarão presentes na noite de hoje, dia 17, no Garden Hotel, durante mais uma edição Troféu Gonzagão.

Esse foi o grande desafio proposto para a oitava edição do evento, que mais uma vez vai reunir grandes nomes da música brasileira, em especial aqueles que lutam pela preservação das raízes culturais do forró e demais ritmos de igual importância.


Realizado pelo Centro de Ortodontia Integrado (COI) e o Instituto Intercultural Brasil (INBRA), o evento vai homenagear o médico, compositor, poeta e folclorista Zé Dantas (in memoriam), o cantor, compositor e instrumentista que mais traduz a poesia e musicalidade nordestina, Pinto do Acordeon e o mais premiado compositor, arranjador, percussionista e produtor musical Carlinhos Brown.

Com o intuito de proporcionar uma noite memorável à altura de seu público artístico e demais convidados, o cardápio da festa vai além do "baião de três" e promete muitas outras iguarias que vão de A a Z, como Antônia Amorosa, Aldemário Coelho, Beto Brito, Cezzinha, Dorgival Dantas, Edmar Miguel, Genival Lacerda... passando pela "LETRA I" através de sua musa inspiradora Iolanda Dantas. 

É um verdadeiro banquete musical, durante o qual todos poderão brindar com o fino cristal da voz de Elba Ramalho, madrinha do Troféu. E de sobremesa, a doce voz de Marina Elali, neta de Zé Dantas, que veio representando o talento e a continuidade do legado de seu avô.

Durante o evento, Flávio José, Ivanildo Vila Nova, Xico Bizerra, Bernard Robert Charrue, Rodolf Freire, Pierre Landolt, Del Feliz, o artista popular Zé do Pife, Antônia Amorosa e Edmar Miguel serão homenageados e receberão o "Oscar do Forró": o Troféu Gonzagão 2016.

Idealizado Ajalmar Maia e Rilávia Cardoso, a primeira edição do evento foi realizada em 2009, homenageando o Rei do Baião Luiz Gonzaga. De lá pra cá, em sete edições, reuniu centenas de músicos e realizadores culturais, incentivando e difundindo as raízes culturais do nordeste através de grandes encontros.

Para Rilávia Cardoso, "o Troféu Gonzagão é a evocação de uma cultura que tem como bandeira o forró, é fruto da genialidade de um homem simples, cuja sabedoria e amor ao seu povo, revolucionou e construiu uma nova história que engrandeceu, definitivamente, o cancioneiro da música popular brasileira: Luiz Gonzaga. Se constitui, também, como uma forma de exaltar as brilhantes expressões artístico-culturais do nosso país", reforça a doutora.

À luz desse ideal, já foram homenageamos muitos dos seguidores de Luiz Gonzaga entre outros que perpetuaram a sua grande obra, quer seja como artistas, cineastas, escritores, ativistas culturais entre outros. 

A oitava edição do Troféu Gonzagão 2016, ocorre hoje, a partir das 19h no Teatro do Garden Hotel de Campina Grande.


Geneceuda Monteiro – Jornalista DRT/PB 1.640


terça-feira, 3 de maio de 2016

É tudo. Muito.Di-verso...



“Ser imagem que cabe em um poema e ser um poema que cabe em um olhar"esta síntese define o livro "É tudo. Muito. Di-verso..." publicado pela Chiado Editora de Portugal e lançado no Brasil, em março de 2016.


A obra, assinada pelas autoras paraibanas Geneceuda Monteiro e Imara Queiroz, apresenta um olhar vário e poético através da fusão de poemas e fotografias centrados em uma temática diversa.

"É tudo. Muito. Di-verso..." traz uma proposta inovadora de poemas-clique inspirados nos haicai, poetrix, tercetos, entre outros estilos poéticos. É a captura poética da imagem ou a imagem revelada em forma de poema. 

De leitura bastante leve e agradável, o livro pretende atingir  todos os leitores que se dispuserem a se entremear pelos seus versos e imagens. Trata-se de um olhar poético totalmente adequado à sociedade instantânea da era da tecnologia da informação e comunicação, que dispõe de pouco tempo para se dedicar à leitura. 

Além disso, com formato e conteúdo bastante atrativo, o livro se configura como uma ferramenta lúdica que busca estimular jovens leitores no processo de construção dialógica e reflexiva de poemas e imagens. Esse encontro exato da palavra/fotografada, certamente, possibilitará momentos de reflexão, refazenda e, porque não, de abstração e ternura entre os seus leitores.

“Deve ser lido por quem seja capaz de escutar a melodia de uma fotografia e enxergar os azuis e verdes e amarelos e vermelhos de um poema em preto e branco...!” desafia o escritor e psicanalista Edmundo Gaudêncio, na apresentação da obra.

A obra já está à venda em formato impresso e digital, através da Livraria Cultura  .

quinta-feira, 15 de maio de 2014

Campina Grande sedia "Oscar do Forró"

A cidade que faz o Maior São João do Mundo também sedia o maior encontro de forrozeiros do planeta: o Troféu Gonzagão.

Os primeiros acordes ...

Uma sanfona, um zabumba, um triângulo, o tocador. Era arrasta-pé no topo da serra.Foi de lá, que ecoou o baião. Daí por diante o forró tomou conta do arraiá, invadiu o pé-de-serra, fugiu da seca e migrou para o sul levado pelos icônicos paus-de-arara.Fez das feiras livres sua latada, na puxada do fole estava a garantia do "ganha pão". 

Assim como o nordestino, o forró também é um forte. Se reinventou, se vestiu de gala e hoje é estrela de primeira grandeza nos grandes palcos brasileiros.E em Campina Grande, a cidade hich tech que realiza o Maior São João do Mundo, também realiza o maior encontro de forrozeiros do mundo: o Troféu Gonzagão. A megalomania, típica campinense, se justifica com base nos números. Já imaginou uma noite na qual estão reunidos no mesmo local mais de cem artistas forrozeiros de renome nacional e internacional? 

Pois bem, em sua sexta versão, a noite de gala do forró reúne importantes expoentes da música nordestina a exemplo de Elba Ramalho, Nando Cordel, Anastácia, Flávio José, Dorgival Dantas, Zé Calixto, Alcione, Ton Oliveira, Quinteto Violado, Onildo Almeida, João Gonçalves, Lucy Alves, Amazan, Alcymar Monteiro,  Waldonys, Chambinho, Pinto do Acordeon, Genival Lacerda, Elino Julião Júnior, Os Nonatos, Trio Nordestino, entre muitos outros.

O Troféu Gonzagão tem se consolidado como um dos maiores eventos da cultura e música nordestina. Em função disso, a Federação das Indústrias do Estado da Paraíba – FIEP, o Projeto SESI Cultura e Tradição da Paraíba e o Centro de Ortodontia Integrado trazem à cena a sua VI Edição. Neste ano, o evento homenageia o pernambucano de Garanhuns: o grande mestre Dominguinhos.

Aclamado entre os consagrados ícones da música nordestina, pela habilidade com a sanfona, Dominguinhos é um artista iluminado que representou e sempre representará uma de nossas maiores expressões musicais: o forró.

Na oportunidade, também serão alvo de homenagens artistas como: Anastácia, Nando Cordel e Elba Ramalho pela tamanha contribuição à música brasileira através das composições e parcerias de sucesso feitas com Dominguinhos.

Em função disso, a referida homenagem acontecerá no dia 21 de maio, às 20h, no Centro de Convenções Francisco de Assis Benevides Gadelha da FIEP, em Campina Grande, na Paraíba. Trata-se de uma noite especial, um cenário fortemente marcado pelo brilhantismo e autenticidade dos artistas nordestinos.

Com as bençãos dos Padroeiros...


Considerado como "o Oscar do Forró" o evento criado em sua gênese para elevar e fortalecer o ritmo é fruto da dedicação e amor à cultura nordestina dos ortodentistas Ajalmar Maia e Rilávia Cardoso: os "Padroeiros do Forró". É isso mesmo. No Nordeste das muitas tradições culturais em que a reliogiosidade sempre representou a âncora para suportar as intempéries da grandes secas, há padroeiro em tudo. E porque com o forró tinha e ser diferente? Não podia ser não. Tanto é, que é desse jeito!

"Somos um casal de dentistas e ativistas culturais, profundamente apaixonados pela música nordestina, mais notadamente, o forró. Temos promovido estes eventos anualmente, o que nos credenciam a desfrutar da amizade pessoal com vários destes artistas" destaca Rilávia Cardoso. 

De acordo com Ajalmar Maia, ambos já estiveram presentes em outras importantes iniciativas "apoiamos e tivemos registro nos créditos do filme “O milagre de Santa Luzia” tendo como estrela maior “Dominguinhos” mostrando todos os ritmos da sanfona brasileira". Participamos de entrevista do Globo Repórter em 2007, por ocasião da Homenagem a Dominguinhos no evento “Sanfona Sentida” e também por sermos proprietários de uma das cobiçadas sanfonas pertencentes à Luiz Gonzaga". 

"Promovemos o lançamento Nacional do filme “Paraíba meu Amor”, em parceria com a Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (FIEP). Nesta ocasião, houve uma grande repercussão na mídia local e regional" afirmou Ajalmar Maia, reforçando a experiência e alcance conquistados pelo trabalho que desenvolvem.

Da sala de reboco à clínica de ortodontia...

Desde sua primeira edição, realizada em umas das salas do Centro de Ortodontia Integrado com o objetivo de resgatar à cultura e a música Nordestina, o projeto foi consolidado há mais de 10 anos, homenageando com muito orgulho, ícones da música regional com visibilidade local, nacional e internacional. A exemplo de artistas como Dominguinhos, Elba Ramalho, Marinês, Genival Lacerda, Raimundo Fagner, Chico César, Antônio Barros e Cecéu, Pinto do Acordeon, Nando Cordel, Adelmário Coelho, Oswaldinho, Targino Gondim, Adelson Viana, Glorinha Gadelha, Sivuca, Camarão, entre outros.

A partir de 2009, pensou-se em dar uma nova dimensão ao evento, transformando-o em uma vitrine para outorgar o Troféu “Gonzagão” aos vários destaques da música. Logo, foi firmada uma parceria com o presidente da Federação das Indústrias do Estado da Paraíba - FIEP/PB, Francisco de Assis Benevides Gadelha. Ele, um entusiasta cultural, com sua visão de vanguarda, anteviu o sucesso e apostou em alavancar a Paraíba como um verdadeiro celeiro da Indústria Musical, incorporando a referida iniciativa ao Projeto SESI Cultura Tradição da Paraíba.  

À luz desse ideal, foram homenageamos os seguidores de Luiz Gonzaga e outros que perpetuaram a sua grande obra, na oportunidade, cerca de 50 artistas estiveram presentes. O sucesso do evento repercutiu na mídia local, regional e nacional. 

Já em 2010, para segunda versão do Troféu Gonzagão, a ideia foi  homenagear Jackson do Pandeiro. Um paraibano, compositor, intérprete, instrumentista, ritmista, que além de dotes cênicos e coreográficos foi um grande vencedor da sua arte, com uma imensa obra que abrange côcos, rojões, baiões, sambas, frevos, marchas, rancheiras, xotes, batuques, maxixes, maracatus entre outros gêneros essencialmente brasileiros. Tal evento aconteceu no dia 25 de maio do referido ano. Na ocasião, homenageamos também alguns proprietários de casas de show que deram notoriedade nacional aos artistas e pessoas ligadas de alguma forma a Jackson do Pandeiro.

Pela dimensão alcançada, o Troféu Gonzagão foi indicado para constar permanentemente no calendário de eventos da Prefeitura Municipal de Campina Grande. Com um público alvo diversificado, o "Oscar do Forró" é prestigiado pela sociedade campinense, empresários, industriais, autoridades políticas, legislativas e de classe, entusiastas culturais, além dos inúmeros artistas e empresários das casas de shows do Brasil.

Como bendiz a "Padroeira do Forró",  Rilávia Cardoso, "o Troféu Gonzagão é a evocação de uma cultura que tem como bandeira o forró, é fruto da genialidade de um homem simples, cuja sabedoria e amor ao seu povo, revolucionou e construiu uma nova história que engrandeceu, definitivamente, o cancioneiro da música popular brasileira: Luiz Gonzaga. Se constitui, também, como uma forma de exaltar as brilhantes expressões artístico-culturais do nosso país", reforça a doutora.

Com tanta história para contar, o Troféu Gonzagão demonstra que o forró está mais vivo do que nunca. O fato de não estar em pauta nas grandes mídias, não invalida a força perene de suas raízes. O velho forró tem se renovado e tem muita passarela a sua frente.  É como disse o jornalista  Assis Ângelo - em conversa com o também jornalista e escritor José Nêummane Pinto - "estamos vivenciando aqui, a retomada da música nordestina com toda força e categoria, a música sai da feira para os grandes palcos".

Isso mesmo. O forró deixou as velhas latadas e fez da Federação das Indústrias do Estado da Paraíba o seu palácio! Onde tem reinado nos últimos anos. Fato é que, enquanto uma sanfona, um zabumba, um triângulo ecoar, o forró sempre terá seu espaço garantido em todos os salões brasileiros.

Geneceuda Monteiro
Jornalista: DRT/PB:1.641
Fone: 83. 88146576

terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

A ditadura da beleza não é mole não!


(VIII) Que mulher é metonímia, parte pelo todo, até na mais assombrosa das
criaturas existe uma covinha, uma saboneteira, uma omoplata, um cotovelo, um
detalhe que encanta deveras.
IX) Que me desculpem as muito lindas, mas sem imperfeição não há tesão. Um quê de
feiúra é fundamental, empresta à fêmea uma humildade franciscana quase sempre
traduzida em benfeitorias de primeira qualidade na alcova.
Os 10 mandamentos do homem feio, Xico Sá

"Um mínimo de cirurgias plásticas, dietas patetas e essas ginásticas fantásticas... Vivei e amai ao Sol! Para aquele que ama, vossos senões são poesia. Nada mais lindo que as feiurinhas da mulher amada!  Camelô do Amor, Vinícius de Moraes 


Tentando tirar a caneta do estaleiro fiquei longas horas escavoucando palavras, ciscando fatos e tendências em busca de algum mote. Sem êxito, desisti. Fui para academia, não malhar o corpo, o cérebro. Eureka. Ali estava um grande exercício de flexão e reflexão.

Enquanto caminhava, escrevia o texto - mentalmente - tentando entender por que a ditadura da beleza é tão cruel com a nossa geração. Em especial com as mulheres. Chega a ser assustadora a nova geografia feminina. Seus contornos, seus abismos, suas sinuosidades derraparam na plasticidade do silicone, suas expressões congelaram impostas por aquela toxina tão prestigiada. Olhei ao meu redor e vi bonecas de borracha exibindo seus abdomens tanquinho, seus músculos, peitos e lábios muito mais fortes do que os que Caetano cantou. Super mulheres malhadas, super rãs pela tonicidade das coxas e canelas atrofiadas. Minha geração tinha modelagens mais simpáticas: cinturas de pilão, de violão, as pernas igualmente torneadas, o bumbum arrebitado, os braços frágeis, o colo delicado e macio, o refúgio de poetas.

Acredito que o culto exagerado em busca do corpo perfeito camufla outras inseguranças que infelizmente as anilhas, os estepes, os elípticos e até mesmos os simuladores e demais aparelhos de musculação são incapazes de resolver.

E por falar em resolver, sou muito bem resolvida. Quando avaliada e questionada sobre o resultado esperado na academia fui taxativa e direta "não busco um corpo perfeito, nem sarado, nem tanquinho, estou satisfeita comigo, busco saúde e fortalecimento dos joelhos e mãos, vou precisar muito deles com o tempo, não quero ser uma mulher rã, apenas tonificar o esqueleto". Depois do disparo, o olhar atônito do preparador físico, talvez me achando engraçada, ou não. Gosto de ir contra a maré! Essa é minha onda! Amar é se aceitar antes de tudo! É cuidar do que você é. Se exercitar é saudável. Malhar o cérebro é essencial. Deixa qualquer mulher melhor.

Quem disse que a beleza que a mídia vende é a única que tem mercado? A mulher é um produto? E por isso deve manter uma embalagem impecável? Tou fora! E fora literalmente desse mundo. E sou vaidosa, ouviu? Ninguém pense que sou estilo feminista ou largadona, até porque se assim fosse seria largadinha. Um metro e quase de batom vermelho desfilando de saltos pra lá e pra cá. E tem mais, uso saltos não porque queria ter um metro e tanto. Uso porque sim! Mais que o corpo, elevam a alma feminina.

Como uma coisa puxa outra, os saltos apontam para outra imposição: alguém já viu desfiles ou modelos de garotas "mignon"? Se souberem, por favor, me avisem, eu nunca vi. É como se não houvesse moda e, muito menos mídia, adequada a nossa compacticidade. Sobre isso, vi recentemente umas chinesas se dando mal em cirurgias para aumento de tamanho e modificação do rosto. Almejam a beleza ocidental estampadas nas capas de revistas e outras peças publicitárias. Sinceramente chega a ser cômico se não fosse trágico. Pelo menos, estão valorizando aquelas do tamanho GG, as plus size. Nesse sentido, as fábricas de lingerie já estão mais preocupadas em criar peças para essas divas, em valorizá-las e apresentarem nas passarelas uma beleza mais real.

Na verdade, essa ditadura não é mole não! E a ideia de que "as feias que me desculpem, mas a beleza é fundamental" já foi derrubada. Eu mesma nunca acreditei que este verso representasse de fato o pensamento de Vinícius de Moraes, não deste grande poeta, apesar do crédito, mesmo assim, ainda bem que ele próprio se redime em “Senão é como amar uma mulher só linda. E daí?”... "Para aquele que ama, vossos senões são poesia. Nada mais lindo que as feiurinhas da mulher amada!" Vinícius de Moraes, in Camelô do Amor. 

Assim viva Xico Sá "Que me desculpem as muito lindas, mas sem imperfeição não há tesão.” Os 10 mandamentos do homem feio, Xico Sá

De fato, o que precisamos entender é que mais que embalagem precisamos de conteúdo! As bonecas são lindas sim, sem dúvida, mas vazias. Sem cicatrizes, sem manchinhas, sem estrias, sem dobrinhas, sem histórias não pode existir mulher, um objeto apenas.


Geneceuda Monteiro
04 de fevereiro de 2014

sexta-feira, 14 de junho de 2013

Na Pirâmide: Energia do Festival de Quadrilhas de Campina Grande contagia público

Em sua 16ª versão, o evento provou porque se consolidou como umas das mais belas atrações do Maior São João do Mundo 


                                                                  Foto: Dr.ª Imara Queiroz
Alegria, entusiasmo, sincronização. Esta é a receita das Quadrilhas Juninas. E quem compareceu à Pirâmide do Parque do Povo, nos dias 11 e 13 de junho, pode sentir a vibração do público motivada pela energia e grandiosidade do 16º Festival de Quadrilhas Juninas de Campina Grande.

                                                                    Foto:Dr.ª Imara Queiroz
Naquele cenário, tipicamente decorado com balões gigantes e uma infinidade de bandeirolas coloridas, se apresentaram 14 quadrilhas associadas à Associação de Quadrilhas Juninas de Campina Grande (Asquaju-CG). Na primeira etapa do concurso ocorrida, no dia 11, na Categoria Agreste (primeira fase) competiram sete quadrilhas e na final, ocorrida na quinta, dia 13, mais sete grupos disputaram o título. 

                                                               Foto:Dr.ª Imara Queiroz
De acordo com Márcio Marques da Silva, da coordenadoria de turismo de Campina Grande, no dia 19 de junho a cidade sediará um concurso Estadual para eleger a Rainha e o Casal. Os selecionados irão competir na etapa nacional, em Tocantins.

Para os "quadrilheiros" campinenses, cerca de dois mil, um dos grandes desafios é manter a energia durante a maratona de mais de cem apresentações previstas para o Aeroporto João Suassuna e o Terminal Rodoviário Argemiro de Figueiredo. Nesse sentido, os turistas que chegarem à Campina Grande pelo aeroporto  ou pela rodoviária são recepcionados sempre com muita animação.

                                                               Foto:Dr.ª Imara Queiroz


Segundo à programação, a participação das quadrilhas acontecem nos dias 06, 07, 12, 23, 18, 23, 24 e 28 de junho e 06 e 07 de julho. 



Da origem - A quadrilha, uma contradança que teve seu apogeu no seculo XVIII na França,  tornou-se popular nos salões aristocráticos e burgueses do século XVII em todo o mundo ocidental.No Brasil, foi introduzida durante o período colonial, 1530, pelo aparato Militar da época e fez bastante sucesso nos salões da corte brasileira a partir do século XIX.

Não demorou muito para que ela saísse dos palácios e fosse para as ruas, se juntando ao povo. É a partir desse encontro que ela tomou outras conotações e sofreu mudanças, adotando novos passos e outros instrumentos como a sanfona, o "triângulo" e a "zabumba".

                                                              Foto:Dr.ª Imara Queiroz
No Nordeste, as quadrilhas invadiram as "latadas" dos terreiros. Ali, moças e rapazes vestidos de chita e usando chapéus de palha apresentavam suas coreografias atentos à orientação do marcador. Após conquistar os arraiais, as quadrilhas invadiram as cidades, nos muitos bairros várias quadrilhas se empenhavam em animar as noites de Junho. Em Campina Grande não foi diferente. Ruas importantes da cidade viveram o auge das quadrilhas juninas. Quadrilhas como a da Rua da Floresta e a Xote Menina exemplificam bem tais apresentações.

                                                             Foto:Dr.ª Imara Queiroz
Recentemente as quadrilhas ganharam status de luxo. Se reconfiguraram para acompanhar as novas tendências e públicos vigentes. Mesmo assim, com roupas e passos estilizados, sem falar nos muitos brilhos e adereços incorporados ela não perdeu sua capacidade de contagiar as multidões. E, apesar de alguns críticos contestarem tais modificações sofridas, o Festival de Quadrilha Junina de Campina Grande comprova que a força da tradição está mantida e bem consolidada. 

                                                                Foto:Dr.ª Imara Queiroz
                                                              Foto:Dr.ª Imara Queiroz
O tempo é outro, os gostos são outros, mas o entusiasmo dos quadrilheiros - motivados pela vontade de fazer bonito e pelo empenho para manter essa tradição viva - permanece o mesmo.

Viva o Festival! Viva nossos quadrilheiros! Viva as costureiras, as fadas-madrinha do espetáculo! Viva todos aqueles que lutam e se organizam para manter essa chama viva!


                                                                 



Geneceuda Monteiro - Jornalista - DRT.1.640






quarta-feira, 12 de junho de 2013

Menina de Engenho


 Para Rilávia Castro Cardoso e a sua alma de criança



Lá vai a menina branca,
quase ruiva, bem nascida,
correndo para a moenda
alheia à roda da vida...

Lá vem a menina branca,
com sua saia enfeitada
cheia de muitos babados
pela mamãe costurada...

Segue a ruivinha tão ávida,
engenhosa e tão fagueira,
pulando as linhas dos versos
crepitando igual fogueira.

Parece uma sinhazinha
alvoroçada brincando,
 Já se vê que mundo afora
ela vai seguir dançando...

E como dança a danada!
Seus pés parecem ter asas!
Terá sido algum presente
De alguma Fada Encantada?

E seu brilho quem lhe deu?

Sua força, sua graça?
A sinhazinha tagarela
Chama atenção onde passa!

Sua luz é tão intensa,
que não há quem não lhe note!
qual água terá bebido?
De onde será o pote?

Nasceu cana, fez-se mel.
de garapa à rapadura!
A menina de engenho
traz essa doce mistura.
Fez sua história moldada
na fôrma da esperança,
Sua alma espalha o brilho
do olhar de uma criança.

Lá vai a menina branca...
Lá vem a ruivinha bela...
não há outra no Engenho,
mais engenhosa que ela...






                        Feliz Aniversário! Bênçãos do Deus Menino protetor daqueles que guardam em si a fé comum às crianças.


Geneceuda Monteiro, 08 de junho de 2013.

quarta-feira, 5 de junho de 2013

"Eu fiz uma fogueirinha esperando meu amor..."




Quando abriu o guarda-roupa lá estava o vestidinho florido, usado na noite anterior. O cheiro morno da fumaça e vários furinhos desenhados pelas faíscas da fogueira registravam aquela noite de São João.

Que noite linda! Havia fogueira em todas as casas, de todos os tipos, para todos os gostos. Algumas representavam a própria cartase cotidiana, o desapego, o recomeço. Por isso, ardiam em chamas o velho sofá de molas, as pernas tortas da cadeira, duas portas de guarda-roupa, uma gaveta do armário, uma sanefa e muitas outras bugigangas. Parece que a festa junina, que representava a fartura da colheita, representava também uma espécie de rito de passagem, de mudanças.

E haja corre-corre, pula-pula, queima-queima, grita-grita.Os meninos usando chapéus de palha e calças e camisas remendadas exibiam orgulhosos seus bigodes e barba desenhados com carvão. Enquanto as meninas, com pontinhos desenhados nas bochechas rosadas, exibiam suas saías de babado, seus chapéus de trancinhas e lacinhos de fita. Estrelinhas coloridas disputando espaço com bombris amarrados em cordões, traques, cobrinhas, bombas-palito e canoas. Tudo era alvoroço. Aqui acolá alguém aparecia com um dedo, o cabelo, as mãos queimadas.

Chegava um vizinho, afastava um pouco a cinza da fogueira e sacava da velha grelha enferrujada para assar uma fatia de queijo de coalho, uma linguiça, um milho verde. Tudo tão improvisado, tão espontâneo, tão solidário.

Enquanto um balão de papel de seda ia subindo cambaleante, tirando fino na confusão das bandeirolas esticadas, alguém almejava derrubá-lo. De posse de um daqueles espelhinhos de bolso e uma faca de cozinha, o aventureiro "cortava" a imagem do balão vista no espelho na crença de que ele cairia. Pior é que, algumas vezes o balão caía de fato, não pelo vandalismo praticado, apenas de propósito para reforçar aquela tolice.

No terreiro, meninas juntavam alianças, bacias, prato, velas, facas - tudo  virgem - comprados no mesmo dia para as adivinhações.

Vamos ser madrinha de fogueira? Outra respondia: vamos. Daí eram feitos os seguintes votos: 
- Santo Antônio disse, 
- São Pedro confirmou, 
- Vamos ser comadres que São João mandou!
Assim, de braços estendidos sobre o calor da fogueira e saltando, de um lado para outro, crianças celebravam a amizade que seria eterna até a primeira intriga, fato cuja decisão seria igualmente cerimoniosa e anunciada através de um "corte aqui", feito através da ruptura da aliança formada entre os dedos polegar e o indicador.


Dentro das casas, o forró na sala caprichosamente ornamentado por "correntes" de papel de revista. Paulo Goulart, Davi Cardoso, Glória Menezes, Sônia Braga, os muitos ídolos bailavam dependurados ao som do Trio Nordestino, Marinês, Os 03 do Nordeste, Luiz Gonzaga e tantos outros.

A moça, sentada no alpendre cantarolava "é madrugada, até agora nada, meu bem não aparece... cadê meu amor?..."

Nas janelas, uma ou outra lanterna de papel seguia tremeluzindo, o lume se esvaindo lentamente, se dissipando feito fumaça, evaporando a lembrança.


Dobrou o vestido, guardou. Fechou o guarda-roupa.Cheiro empalhado na memória até o próximo São João, quando uma nova fogueirinha será acesa e suas brasas lhe chamuscarão a alma, mais uma vez.