segunda-feira, 23 de maio de 2011

Conversa com verso...

"Sem motor o juízo eu acelero, Deus mastiga as estrofes que eu tempero..."
Nonato Neto


Há muito que tentava abordar Nonato Neto e Nonato Costa para entender a feitura dos versos durante o desenrolar de um festival de repente. Eram muitas as minhas dúvidas e pouco o nosso tempo disponível para resolvê-las. De sorte, que em uma de nossas recentes viagens me encorajei a abordar os poetas que, com muita boa vontade pedagógica, me descreveram o tal processo poético.

Primeiro, perguntei a Nonato Neto, como o seu cérebro percebe uma palavra. Queria entender - se assim como eu, tão logo "fisgo" a palavra ela vira notícia, - como era para o poeta que lhe chegava a percepção do verso. De acordo com Neto, quando ele absorve uma palavra, de imediato seu cérebro já começa a processar os versos. Imaginemos sua mente como uma perfeita e eficaz usina de letras, processando palavras, sons, rimas e no fim da linha de montagem brotando um verso pronto! Quase como um milagre, não fosse o esforço e trabalho desempenhado por sua mente brilhante. Minha curiosidade ia além, quanto mais o poeta abria seu arquivo de verso e suas habilidades diversas, mais perguntas eram maquinadas em minha mente.

Por exemplo: o que antecede um festival? Como os poetas se preparam? Estudam, lêem, preparam uma "burrinha" para evitar surpresas? E ei-lo mais uma vez: com toda sua singularidade me reponde que preparado de tudo ninguém vai. É preciso está atualizado, ler muito, assistir noticiários, enfim se inteirar das atualidades. Mas essa preparação prévia não garante nada não! Sorrimos juntos! Porque aí, compreendi melhor, seria quase como um vestibular de violas! A hora da famigerada redação, para qual o aluno se prepara sem saber se a temática que se preparou vai cair na hora da prova! Prova de fogo isso sim! Imagina o sujeito receber um tema para desenvolvê-lo no palco, literalmente de repente e ter que ao mesmo tempo interpretá-lo em versos, dedilhar a base de sustentação da viola para o seu parceiro, prestar atenção ao que ele, no caso Nonato Costa, está versejando, e enquanto isso tudo preparar seus versos para expressá-los em seguida! Ufa, é coisa de louco mesmo, para quem tem juízo! De quem é louco por palavras, de quem sabe domá-las, de quem sabe moldá-las e delas tirar-lhe a seiva!

Isso é coisa de Nonato Neto e Nonato Costa, dois grandes artífices do verso. Duas almas singulares e uníssonas.

E assim, acelerando o juízo sem motores, seguem os poetas de verso em popa! Mastigando letras, temperando estrofes e nos servindo sempre o melhor de si! Seguem realizados, completos simplesmente, porque o sonho de todo poeta é ser diverso!


Geneceuda Monteiro, 22 de maio de 2011.
geneceuda.monteiro@gmail.com



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